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Mais do Mesmo

Mais do Mesmo

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Ao contrário do que você pode ter pensado quando leu o título, não vamos falar sobre o CD do Legião Urbana, então apague o pensamento que lhe ocorreu: “Ué, um dia é de livro, outro é de CD, o que é que está acontecendo com o Arktetonix?!”, hoje o tema é o mais do mesmo na faculdade, aquelas repetições infinitas que te deixam cada vez mais cansado e menos motivado para ir às aulas. É um assunto muito corriqueiro no dia a dia de estudantes de arquitetura, muito principalmente no início de um novo semestre, na apresentação das matérias novas, o: “Mas eu já não vi isso?”.

Pois é, meus caros, a cada novo semestre estamos mais cansados, mais saturados de tanta informação nova, mas ainda sim conseguimos notar as repetições as quais somos submetidos, afinal, quem nunca sentiu que estava tendo a mesma matéria, mas com nome diferente? Quem nunca sentiu que aquelas matérias “I”, “II”, “III”, “IV”, “V” e infinitas, parecem diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto?

É, é um fardo, ter que acordar às 5 da manhã, pegar ônibus e metrô lotado, trânsito, pra ouvir uma lengalenga que você já ouviu antes, ainda mais quando no meio do seu pensamento sobre “O que vou comer no almoço?”, você entreouve seu professor de “Sistemas estruturais I” (depois, claro, de concluir Sistemas construtivos I, II, III, Sistemas estruturais: Madeira, Concreto, Estabilidade das construções I, II, III, Materiais e técnicas construtivas I, II, III, IV, Sistemas prediais I, II…), perguntar pra turma: “E como os aviões voam?” ¬¬ #totalfail.

Dá até vontade de falar um palavrão…

Creio que todos, independentemente da faculdade, do estado, do tipo de “escola” que a universidade segue, estamos “sujeitos” a isso. Porém qual será o motivo?

Professores que não compreendem a ementa da sua matéria e se desviam do assunto, esbarrando em outras matérias?

São elas tão próximas que é inevitável uma se sobrepor a outra?

Faculdades com tempo ocioso nos cronogramas e que empurram matérias correlatas pra completar a grade? Ou será uma forma de tentar garantir, nem que seja por osmose, aprenderemos a matéria?

Fato é que depois de vários semestres de faculdade, a sensação “de saco cheio” já atingiu um nível tão absurdo que quando um professor fala uma frase que você já sabe (e a essa altura esperase
que você já saiba bastante coisa…) dá vontade de levantar e ir tomar um café.

Dessa vez vou defender integralmente nosso lado.

Temos tanta defasagem no curso de arquitetura, coisas que só aprendemos em uma especialização ou pós graduação que poderíamos aprender durante os 5 anos de curso se não houvesse essa repetição tão absurda de temas.

Cozinhas industriais, praças de alimentação com equipamentos, estudos de cores e materiais, coisas que aprendemos sozinhos, ou supondo durante todo o curso e que poderiam sim constar no cronograma. Afinal de que adianta você fazer uma optativa de “Bares e restaurantes” se você vai fazer ou um ou outro e a cozinha não precisa de layout? (dá-lhe Mackenzie!)

Tantos detalhes, tantas defasagens, ainda mais quando pensamos em “Urbanista”…de que me adianta ter 8, sim, 8, Planejamentos Urbanos, se passo 2/3 deles andando pela rua e levantando uso e número de pavimentos de prédios do bairro?

E nem comecei a falar de “Teoria da Arquitetura”, quem fez/faz Mackenzie me entenderá bem, é o tipo de matéria que é igual em todos os seus 6 módulos, variando o grau de tortura dependendo do carrasco… ops… professor da vez, e que, SINCERAMENTE, além de me forçar a ler textos que eu nunca entendi e nem sei se serei capaz de entender um dia, não acrescentou em muita coisa na minha vida, aliás, em muita gente acrescenta sim, uma matéria a mais pra cursar no semestre seguinte quando pega DP dela.

É galera, como diria meu noivo: “A vida não ‘tá fácil pra ninguém!”

Como já citei em posts anteriores, as Escolas de Arquitetura estagnaram numa “fórmula mágica” e por mais que reformulem e re-reformulem a grade, acabamos por sempre ter as mesmas defasagens e os mesmo excessos.

Creio que por mais que muitos prezem a máxima de que “nós” podemos, “nós” devemos reivindicar, fazer, mudar, querer, exigir, não podemos fazer muito quanto a isso, não muito mais do que reclamar, fazer “abaixo assinados” sobre professores ou matérias específicas e esperar que isso surta efeito, ou então, melhor, podemos querer estar do outro lado, querer lecionar, querer ser aquele que “palpita” na grade, ser aquele que vai fazer com que os descontentamentos dos alunos de hoje sejam os motivos de orgulho dos alunos de amanhã.

Até a próxima, mentes arquitetônicas! Boas aulas a todos vocês! E bom trabalho também!

 

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