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Dica de livro: Anjos e Demônios

Dica de livro: Anjos e Demônios

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Pra aproveitar bem as férias nada melhor do que fazer coisas que você não tem tempo de fazer no restante do ano. Como: arrumar o quarto (iei!), organizar as coisas jogadas pela casa, ir ao médico (é sério..rs), ver bons filmes, sair com os amigos, com o namorado (a), terminar as aulas da auto escola… que não acabam nunca… e, claro, ler um bom livro.

Claro que todos aqui leem muito durante o semestre, quase me sinto fazendo Direito, rs, mas é diferente ler algo que você escolheu, um livro que você foi até a livraria e comprou, que pesquisou, teve vontade de ler, mas é claro também que não é só porque esse livro não é da bibliografia da faculdade que ele precisa, necessariamente, não ter nada a ver com arquitetura.

Nos últimos 15 dias li três livros, grandinhos, 500 páginas cada, os três do mesmo autor, um autor que eu admiro pela atenção que ele dá pra arquitetura e pra arte em cada obra sua, pela admiração e pelo trabalho que ele tem ao pesquisar ao citar cada lugarzinho do mundo, cada fato histórico corroborado, cada costume, cada fato científico, estou falando, claro, de Daniel Brown, cuja capacidade de fazer com que você veja o que ele vê dispensa toda e qualquer ilustração (apesar de admitir que tenho uma edição ilustrada de um dos livros dele de quando eu não sabia nem o que era um transepto rs).

Desde a primeira vez que li “Anjos e Demônios” fiquei fascinada pela obra desse autor, pela sua pesquisa, pelo seu conhecimento de arte, pela sua admiração pela arquitetura e sua forma precisa de descrevê-la a ponto de fazer com que você veja o que ele está pensando. Casado com uma pintora e historiadora de arte, e tendo ele próprio estudado arte na Europa e se aprofundado na história de Da Vinci, Dan Brown, como é popularmente conhecido, se tornou referência pra mim como autor de “ficção”*, escrevendo a trilogia que mais li nos últimos anos. “Anjos e Demônios”, “O Código Da Vinci” e “O Símbolo Perdido”. (Abraço pro meu amigo imaginário mais proeminente, senhor Robert Langdon! rs)

*As aspas são pra ressaltar algo que ele ressalta em todos os seus livros, que apesar da história em si ser fictícia os fatos históricos, lugares e sociedades citados nos livros são todos factuais.

Dica de Livro Anjos e Demônios - Dan Brown
Capa do Livro Anjos e Demônios – Dan Brown

Hoje, resolvi fazer diferente e recomendar essa trilogia a vocês, pois, creio que seja uma literatura que pode  acrescentar várias informações interessantes sobre arte e sobre a história dos pais da nossa profissão que todo aluno de arquitetura deveria saber, e ainda sim são livros de ficção, histórias gostosas de ler, com ação e emoção, histórias que tentam o tempo todo nos abrir os olhos para o que a arquitetura e a arte tentam nos dizer desde sempre: somos um, e buscamos todos a mesma coisa!

A “moral” que notamos em todos os livros dessa trilogia é a mesma: “não importa a religião, não importa em qual lugar do mundo você mora, pra qual Deus faz suas preces, pra qual força pede guarida nos momentos difíceis, não importa se você é cético, ou se crê na ciência; a humanidade grita desde o início de sua existência a mesma história, contada de formas diferentes em cada canto do globo, explicada de diferentes formas, mas sempre com o mesmo intuito, mostrar que somos todos iguais, que todo ser humano busca as mesmas respostas por fontes diferentes, que todos podemos ser melhores, e que todos têm o dever de fazer do mundo algo melhor do que vemos hoje”.

Acho que principalmente as pessoas que lidam com pessoas, como nós, necessitam ter um esclarecimento muito grande dentro de si e uma aceitação muito grande de tudo que existe a sua volta, mesmo que não acredite, mesmo que por ventura não concorde, sempre é necessário estar disposto a entender, e a aceitar tudo o que você não compreende.

Não só levando em consideração nossa profissão, mas nosso lugar como seres humanos, devemos, cada vez mais buscar formas de aceitar o desconhecido, de socializar sem tornar tudo uma carnificina, de integrar, e não de provar quem é o melhor, quem é o mais forte. Vemos a cada dia o ciclo da natureza sendo influenciado pelos nossos atos, e poucos são aqueles que refletem a respeito disso.

Creio que possa parecer banal, ou até mesmo sensacionalista, mas não é esse meu intuito. É nada mais do que o que sempre busquei fazer quando escrevo pra vocês: Fazê-los pensar! Não venho aqui incitar debates irracionais, muito menos incitar discórdia, venho tentar mostrar que embora cada um tenha uma opinião e muito embora essa opinião possa ser completamente contrária a sua, você pode tentar entender aquele ponto de vista, e respeitá-lo, mesmo que descrente, mesmo que te incite a discordar veementemente, você pode compreender.

Ouvimos sátiras sobre a profecia de 2012. Rimos com elas. Descrentes. Céticos. Com toda razão. Certo? Mas nos esquecemos, todos, de ver os fatos. Ou será que matança e violência já se tornou tão banal que resvala por nossas mentes, sempre preocupadas com seu próprio mundo, e não fazem mais diferença, não trazem mais nenhum apelo?

Não que eu acredite que o mundo acabará em 2012, mas o que eu acredito é irrelevante diante dos fatos: a cada dia vemos mais violência, mais imparcialidade, egoísmo, caos. 2012 promete galera! E nem sempre promessas são de coisas boas. 2012, tenha sido por “culpa” da tal profecia, ou por “culpa” da nossa crença, mesmo que inconsciente, nela, vem se mostrando um ano importante, de grandes transformações, um ano onde o ser humano deveria parar para reavaliar sua existência e as consequências dela.

Não quero que pensem que falo isso por ser um tipo “arquiteta hippie”, ecologicamente correta, rebelde contra o sistema, pois, não sou. Por incrível que pareça sou quase o oposto: uso escadas normais, mas não ando de bicicleta ou a pé; não jogo papel na rua, mas também não faço coleta seletiva em casa mais; vejo novela, quando dá pra ver TV; sou mais igual a todo mundo do que muita gente aqui que tem ideais muito mais fundamentados e explícitos do que os meus, mas vejo o mundo de forma singular desde sempre, vejo os horrores de ser humano, vejo a culpa se alastrando pela história e nos cobrando a conta, e quando leio histórias tão profundamente embasadas em ideais que acredito, fico mexida, fico reflexiva, pensando que talvez esteja chegando a hora em que o mundo mudará, em que a ciência parará de guerrear com a religião, em que todos pararemos, ao mesmo tempo, e veremos o que estamos fazendo, e que talvez, quando esse dia chegar o mundo terá a chance de tomar um rumo diferente, e espero, melhor.

Que papel você pretende tomar pra si nesse momento de mudanças?

Como ser humano, como jovem, como ser pensante, que tanto somos!

Divagações a parte, voltemos aos livros…

Fato é que esses livros, se lidos com paixão e concentração, nos fazem abrir os olhos para coisas que se passam todos os dias e que já aprendemos a ignorar, “mudar de canal”.

(Interessante: estava eu cá lendo “Anjos e Demônios”, bem na parte em que discutem a prova científica de que o Gênesis existiu, de que se pode criar massa a partir de uma soma de “nada”, vácuo total, e uma grande, gigante, concentração de energia, quando olho pro jornal e vejo a notícia de que no mesmo CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), em Genebra, citado pelo autor do livro, cientistas que trabalham com aceleração de partículas deram um passo importante na descoberta da partícula batizada de “partícula de Deus”, que pode criar massa “do nada”. Será esse um pequeno passo rumo a nossa compreensão?)

Ou seja, leia, seja para acreditar, seja pelas informações interessantes que contém (por exemplo: você sabia que foi o CERN que inventou a internet e não os EUA como eles alegam em tantos filmes Hollywodianos?), mas leia, vale a pena. Você precisa de questões que despertem o potencial adormecido do seu cérebro, afinal, me aponte qual foi a grande descoberta que não nasceu de um simples, porém eficaz, questionamento?

É isso, mentes arquitetônicas, espero que gostem, e que deem uma chance à minha dica.

Até a próxima!

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