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Encarando o Encerramento do Semestre

Encarando o Encerramento do Semestre

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

“Pessoal, não abandonei vocês viu, e sei que mesmo sem explicar todos podem entender como andava minha vida no final desse semestre (igual à de vocês, imagino..rs).”

Bom, e lá vamos nós…

Sinto que estou me repetindo, pois já falei do início de um novo semestre, da pressão, ansiedade, e agora venho falar do encerramento, mas são situações tão “pares e díspares” que não acho que tenha problema.

O final de cada semestre é sempre marcado, primeiro, pela correria, pelo desespero, pelo “não vai dar tempo”, pelo stres, seguido pela ansiedade, pelo “será que deu?”, e logo depois pelo torpor………pelo desconforto de chegar em casa e poder se quer olhar pro controle da TV, por poder ligar o computador e não clicar no AutoCAD, e pra quem não trabalha, pelo “não fazer naaaaaada!”. Fato é que o final de cada semestre é o mais exaustivo da vida de futuros arquitetos como nós, psicológica e fisicamente, ficamos “acabados”, o que mais queremos é dormir até meio dia num sábado, até ao menos as 8 nos dias da semana e não fazer nada além de curtir o que nos resta de vida.

Porém o mais importante de cada etapa como essa é a reflexão. Não há quem ao final de cada semestre não pare e pense: “Então, o que eu apreendi durante esses meses?”. Não, você não leu errado, eu escrevi “APREENDI” mesmo.

Apreender: apreender o significado, assimilar, compreender.

É muito importante fazer esse balanço, pois, não abrange apenas o que você aprendeu em cada nova matéria cursada, mas também pra sua vida. As brigas, os problemas, as discussões sempre presentes no desenrolar dos trabalhos em grupo, tudo te trás algo novo, algo que acrescenta na pessoa que você era quando começou a faculdade e que já não é mais.

A faculdade, o lidar com tantas pessoas de classes diferentes, de criações diferentes, hábitos e manias diferentes, muito mais do que na escola te ensina como será difícil lidar com o mundo quando começar a atuar na sua profissão, mas cada uma dessas pequenas pedras será parte do castelo que você erguerá um dia.

Acredito que o mais difícil da nossa profissão seja lidar com o cliente, seja todo o trabalho de psicologia para demovê-lo das decisões ruim, e convencê-lo a aceitar o que só você sabe que a longo prazo será o melhor pra ele. Ser arquiteto não é só lidar com a crise do papel em branco meus caros, é muito mais complexo do que isso.

Cada cliente, cada pessoa, cada fornecedor, cada pequena interferência externa pode tirar tudo do seu controle minucioso, e saber lidar com todas essas peças, equilibrar tudo de forma que todos tenham sua porção de responsabilidade, mas sem deixar que seu projeto se torne uma miscelânea de ideias de todo mundo, requer uma frieza impar. Em contraposição, arquitetura exige calor humano, exige saber como cada pessoa reagirá ao que você propôs, exige que você se envolva como se fosse o próprio cliente, mas ainda sim exige o distanciamento necessário para que você não deixe seus próprios pré conceitos influenciem no produto final.

Complexo? Que nada! Depois desses 5 anos, ao receber seu diploma você se sentirá recebendo um anel dos Lanternas Verdes (#geek), que te dará o poder de fazer tudo. Muita gente (engenheiros principalmente) nos acusam de acharmos que podemos tudo, de acharmos que somos Deuses, mas “fala sério” você conhece a tecnologia, conhece o potencial da arquitetura, e o potencial que ela vem desenvolvendo a cada dia que passa, por que não ser utópico? A utopia pode sim um dia se tornar realidade, assim como os desenhos que tantos grandes arquitetos fizeram no passado ilustrando a sua utopia, hoje são visíveis em cada esquina das cidades.

Apesar de já terem lido aqui críticas minhas ao sistema de ensino superior no Brasil, é irrefutável que a faculdade forma você independente da disciplina dada em sala, que ela te mostra como conviver com pessoas diferentes, como não poder contar com a diretora pra reclamar das coisas (..rs), como não poder pedir pro seu pai resolver pra você, enfim ela te mostra o poder que você tem sobre suas escolhas, se você vai ou não fazer os trabalhos, ninguém mais vai te cobrar, você se torna cada vez mais construtor do seu futuro.

Esse pesar o que você apreendeu pode ser feito durante o dia, quando você olha pela janela do ônibus (ou do carro, pra quem tem mais sorte..rs) e vê coisas que , antes não via, as nomeia de formas que antes não nomeava, enxerga críticas que antes não enxergava, essas pequenas coisas mostram pra você o quanto esses semestres acrescentaram na sua vida, o quanto você traz de um arquiteto dentro de você a cada novo dia mesmo que você já não lembre mais como calcula uma laje ou uma viga.

A cada novo semestre não pense que foi em vão, você sempre se torna uma pessoa melhor, sempre tem algo novo na sua vida, então tome a faculdade como um todo e não só no que você anota no seu caderno.

Aos que ficaram em alguma matéria, não desanimem, eu já peguei DP e sei que se não fosse ela eu não teria avançado em muitas outras coisas nos semestres seguintes.

Até a próxima!

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