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O “Pós” Faculdade

O “Pós” Faculdade

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Primeiramente preciso me retratar sobre a ausência de post nesses últimos dias. Sei que muitos acompanham a coluna semanalmente e sentiram falta de novidades.

O caso foi que na quarta feira apresentei um projeto completamente novo para minha professora (fora do horário de aula, pois, cada aluno alugou ela por meia hora) e somente então comecei a desenvolve-lo para a entrega da quarta feira seguinte, que consistia em um estudo preliminar tão completo, que poderia ser executado.

Enfim, entre plantas tipo de escritórios, residenciais, lojas e praças de alimentação, tropecei em algum shaft, me enrolei toda e terminei o trabalho no dia da entrega, 15 minutos antes da hora final, depois de uma noite inteiramente ligada no 220.

Acho que não preciso explicar melhor,né? Não tive vida para nada nos últimos dias e infelizmente tive que deixar algumas coisas de lado, temporariamente, mas prometo que apesar das próximas semanas prometerem ser tão corridas quanto, postarei sempre que possível.”

É claro que todos vocês já pensaram no “pós” faculdade, muito provavelmente foi pensando só nele que vocês escolheram esse curso, pois, tenho certeza de que se soubessem do durante, nós arquitetos, seríamos em muito menor número.

Todos entramos na faculdade com uma ideia de como será nossa vida depois, e essa ideia muda a cada novo semestre, a cada nova matéria, a cada nova experiência.

Quando escolhemos arquitetura, os “sonhos” variam entre “construir Brasília”, “um prédio em Dubai”, “ter uma construtora de apartamentos e casas de luxo”, “ganhar um pritzker“, entre outros no mesmo gênero, que muito cedo percebemos que são extremamente bobos.

No decorrer dos primeiros semestres, começamos a sonhar com ser discípulos dos grandes, viajar o mundo, reurbanizar cidades, em criar um mundo novo…

Agora, já passada a metade do curso não consigo nem lembrar mais porque eu escolhi arquitetura, porque eu não desisti ainda, porque eu ainda insisto com essa insanidade… rs… enfim, já não consigo nem parar para pensar no que eu vou fazer da minha vida daqui 2 anos.

A cada semestre milhares de novos arquitetos são jogados no mercado de trabalho, muitos talentosos, pouquíssimos reconhecidos, todos tão perdidos no ano em que dedicaram suas vidas ao TFG, que se formam e pensam “E agora, o que vou fazer se e não tenho mais que estudar?”

Alguns optam por estagiar em várias áreas durante o curso, para experimentar, outros trabalham na área que pagar melhor para sobreviver, outros trabalham em uma área só e nela encontram o que pretender fazer dali pra frente, tantas formas diferentes, na maioria das vezes dá errado, e muitos talentos se perdem pelo caminho, soterrados pelos grandes nomes do mercado, sem chance de aparecer (porque, afinal, parece que os arquitetos tem vida eterna..rs)…

E então, como lidar com isso? Somados todos os nossos problemas com o curso em si, temos ainda que lidar com os problemas “pós” curso, com a vida que pretendemos levar depois de formados.

Uma professora disse essa semana: “Quer moleza, vai fazer medicina!”, há 3 anos atrás eu chamaria ela de insana, hoje, quase estou seguindo seu conselho…rs…

Pós Faculdade - Internet
Pós Faculdade

Tantos lugares onde atuar, tantos pontos interessantes, tantas áreas possíveis, mas infelizmente são poucos aqueles que podem “fazer o que querem”, sejam teóricos ou não, infelizmente o mercado não paga bem pra quem não faz “aquilo que interessa a eles”. Estamos então presos a uma pequena gama de funções, presos ao mercado, presos à sociedade na qual vivemos?

Sim e não.
Sim, pois, para aquela maioria que não pode viver de “paitrocínio” pra sempre, não tem herança, nem ganhou na loteria, tem que fazer “o que vende”, mesmo que paralelamente desenvolva outro trabalho que lhe agrade mais;

Não, porque sempre podemos optar por “tentar mudar o mundo”. Quantos arquitetos não conseguiram fazer fama, dinheiro, realização pessoal, vendendo um produto que antes não interessava a ninguém? Quantos livros de Tsumi, Eisenman, entre outros você já não leu? Quantas intervenções “amalucadas” Libeskind já não fez pelo mundo a fora? Eles foram como nós, estiveram no nosso lugar, por que não podemos, em um futuro próximo, estar no lugar deles?

Eis que, mas uma vez reforço, só você pode decidir o que fazer da sua vida, do seu futuro como arquiteto. Talvez o lado financeiro te faça mudar de rumo, desviar um pouco o caminho inicial, mas jamais você desistirá do seu ideal. Se na faculdade você consegue desempenhar tanto papeis ao mesmo tempo, por que no futuro, depois de formado, você não pode, em paralelo ao seu trabalho normal, realizar outras atividades no ramo da arquitetura que estejam de acordo com o que você sonhou inicialmente?

Se tem uma coisa que a arquitetura me ensinou é que SEMPRE dá tempo, rs, basta você querer.

Então, queridos companheiros e futuros concorrentes, levemos desse mundo arquitetônico ao menos uma dentre tantas lições: Se escolhemos ser arquitetos, se escolhemos fazer diferente num mundo tão preso ao mercado como o que vivemos, significa que nascemos para ser livres, mentes livres que podem e vão mudar muita coisa nas próximas décadas (ou séculos, afinal Niemeyer ainda está aí, né?..rs). Acreditem em vocês, nem sempre haverá alguém pra te incentivar, nem sempre haverá alguém pra te incitar a continuar quando tudo te disser pra apenas seguir a maré e ser mais um robozinho atrás de um computador produzindo apartamentos de 50m² pra vender casa vez mais, mas se você acreditar em si mesmo, você pode fazer algo pelo mundo (seja uma coluna semanal num blog, seja um novo conceito de morar).

Mesmo que o “pós” faculdade seja difícil, não apague seus sonhos, apenas guarde eles como um esboço bom, que agora não serve, mas que lhe vai ser muito útil um dia.

Até mais galera, e mais uma vez, perdoem os atrasos!

 

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