Close
As tarefas excessivas das faculdades de arquitetura

As tarefas excessivas das faculdades de arquitetura

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Estamos aqui, mais uma semana, com um tema sobre o qual todos nós já pensamos, principalmente a partir do meio do semestre.

No meu caso, e dos Mackenzistas em geral, esse semestre já não temos mais um “1″ grande período de “loucura”. O novo método de avaliação, que veio com o intuito de dissolver essa loucura em dois períodos distintos, conseguiu fazer com que ele dobrasse, pois, nossos queridos professores viram da seguinte maneira: “Ok, então eles vão ter o que fazer agora e vão ficar semanas sem fazer nada? Vamos passar então trabalhos que levem semanas para serem desenvolvidos, para que eles aproveitem melhor o tempo!” Conclusão: Exaustão! Extrema!

Essa semana circulou pelo “Facebook” uma matéria de jornal que dizia que o excesso de trabalho gera declínio na qualidade da produção.

A priori pensei: “Claro, pois, muita coisa + pouco tempo = “feito nas coxas”.” (Para os alunos de arquitetura que não sabem, essa expressão nasceu na fabricação de telhas de barro pelos escravos, que às moldavam nas próprias coxas e isso resultava em tamanhos e formas tão diferentes que às telhas geravam um telhado muito mal acabado.), mas depois analisei melhor e percebi, por experiência própria, que o excesso de trabalhos e provas e resumo e exercícios e seminários e leituras e debates..enfim..faz com que nós alunos cansemos tanto mentalmente que já não conseguimos produzir.

Que aí nunca pensou: “Ah, uma planta tipo defino rapidinho.”, e na hora que reservou para isso não conseguiu sair do zero?

Tenho passado muito por isso e imagino que todos vocês também.

Muita Tarefa
Muita Tarefa

Trabalho + Faculdade + Vida (ou o pouco que ainda conseguimos manter dela) nos deixam em frangalhos. Somamos a isso os professores com “egocentrismo agudo”, que acham que a matéria deles é a única (das 11 que tenho ¬¬’) que realmente importa e que vale a pena trabalhar, acabamos por produzir um material que não nos agrada e ainda sim consumiu cada gota de tempo e energia que não tínhamos.

E o pior é depois de todo o esforço ouvir as críticas e não poder se defender, por concordar que o trabalho foi mal executado, ou que poderia ter atingido um nível mais elevado.

Ou seja, a instituição nos cobra por sermos demasiado “tarefistas”, mas se recusa a ver que eles nos obrigam a ser assim.

Como analisar partidos para um bom projeto quando você tem 4 semanas para entregar, sozinho, um estudo preliminar completo dos pavimentos tipo, implantação, estrutura e subsolos, em meio a mais 10 trabalhos de matérias e raciocínios diferentes?

Como realizar a integração entre as matérias, entre os conteúdos aprendidos, se você mal consegue pensar? Esse semestre foi o primeiro que trabalhos puderam ser “reaproveitados” e ainda sim, como pode haver integração entre “estruturas de concreto” e “madeira”?

Seria cômico se não fosse trágico.

Enfim, nos dizem para “fazer acontecer”, para reivindicar, para correr atrás, para trabalhar pra apreender mais coisas… alguém aí tem tempo pra participar da comissão de alunos, fazer todos os trabalhos, trabalhar (dormir não precisa, claro!), e fazer tudo isso com comprometimento e competência? Somos fortes, mas haja! Acho que Hércules deveria experimentar nossa vida, será que ele aguentava 12 trabalhos?..rs

Enfim galerinha arquitetônica, hoje o texto é mais curtinho e é mais um desabafo de mais uma aluna de arquitetura revoltada e cansada com a nossa carga de aulas e trabalhos. Espero contar com a compreensão de vocês por essas semanas, sei que mais do que ninguém vocês entenderão caso eu venha a faltar com vocês.

Torçam para que não aconteça.

Boa sorte para todos! Muito guaraná, poucas horas de sono e força! Todos conseguiremos no final, pois, repito, “arquitetura não é para os fracos”!

Até a próxima pessoal!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Close