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Semana de 22

Semana de 22

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Na semana do carnaval a Semana de Arte Moderna completou 90 anos. Com a euforia do carnaval e com a oportunidade de homenagear o mestre do modernismo brasileiro, acabei deixando a Semana de 22 para trás, mas agora estamos aqui para recuperar essa perda.

Volto a ressaltar que não estou aqui para contar sobre o modernismo, pois, todos já estamos carecas de saber sobre o mesmo, apenas vamos discutir um pouco de “o que representou” a Semana de 22 para a sociedade (principalmente a parte ligada as artes) do inicio do século XX.

A tão falada Semana aconteceu em um cenário turbulento e foi extremamente mal compreendida na época, ela veio com o intuito de dar um rumo às artes da época, que estavam muito focadas na influencia européia; eles queriam mostrar o que “temos no Brasil”, tanto que um dos cartazes da Semana traz o slogan: “Nós temos talento”.

O que mais me “intriga” é, como um evento de proporções tão pequenas alcançou 90 anos de importância histórica? Porque, todos têm que concordar que apesar de reunir grandíssimos nomes da época, a “tão falada” Semana, não passou de uma simples “Bienal” (não me atirem pedras, estou apenas “sintetizando”..risos…).

Quando paramos para analisar a Semana de 22 até nos permitimos acreditar que podemos mudar o mundo das artes com um pequeno post semanal sobre arquitetura… risos…

Mas fato é que a Semana mudou a concepção que tínhamos das artes, não imediatamente, mas influenciou tudo o que conhecemos hoje, e daqui 10 anos haverá uma grande celebração do seu centenário, com certeza. O que diriam os “Tropicalistas” se pudessem ver as proporções do seu pequeno grande movimento, hoje?

Como já deixei bem claro, sou fã incondicional do movimento moderno, e nunca conseguirei ser imparcial quanto a isso e apesar de achar que a Globo só tem de “entretenimento” a novela (completamente por falta de algo melhor que passe na TV aberta no mesmo horário), foi ela quem me fez adquirir esse gosto absoluto e imutável pelo modernismo, com uma minissérie chamada “Um só coração” (e também devo à Professora de artes Sandra, que me fez copiar “O mamoeiro” e o “Abaporu” da Tarsila com tanta perfeição, que eu quase comecei a vender réplicas..risos), enfim, somado isso a escola que eu estudei 7 anos que era “maislecorbusianaimpossível”, explica-se facilmente o porque dessa minha paixão pelo moderno.

Na sua opinião, o que a tornou um divisor de águas para o cenário artístico brasileiro?

A novidade? A mudança? O desafio à escola da época?

Na minha opinião, o grande “bang” da Semana de 22 se deu justamente pelo novo, pelo desafiar a corrente européia, vigente naquela época, por mostrar que havia sim arte no Brasil do início do século XX, que nossos artistas produziam telas, poemas, música, que valia a pena ser exportado, e não que deveriam ser suprimidas pela arte importada de fora.

São Paulo (1924) - Tarsila do Amaral
São Paulo (1924) – Tarsila do Amaral

Mas aí está um ponto onde há grandes discordâncias, por mais que a Semana de 22 tenha sido uma “ode à arte brasileira”, todos sabemos que nos primórdios da Semana de Arte
Moderna, o futurismo, o cubismo e o expressionismo, foram grandes influencias para os novos trabalhos de Oswald de Andrade e Anita Malfatti, que por sua vez deram início as discussões
que levaram ao movimento da Semana, ou seja, como um professor da faculdade disse no início do meu curso:

“Fomos para o modernismo para fugir da influência européia, mas buscamos nossas bases para esse novo movimento nas próprias influências europeias”.

O que nos faz perceber que o mundo da arte está intrinsecamente interligado seja onde for, e hoje, com a tecnologia do mundo virtual, onde as informações viajam à velocidades incríveis, o mundo tende a perder suas regionalidades e ser sugado cada vez mais para uma universalização dos movimentos artísticos.

Cabe a cada artista resgatar os pontos que mais lhe interessam em cada movimento para não permitir que todo o mundo das artes caia na “mesmice mundial” do Hightech.

E pra você, o que moveu a Semana de 22 para o topo dos movimentos artísticos mundiais? O que a fez tão importante? As influências europeias se tornaram válidas por estarem ajudando a criar nossa nacionalidade artística, ou foi apenas uma forma de mascará-las e torná-las mais aceitáveis aos que às estavam criticando?

Compartilhe conosco sua opinião!!!

O que foi a Semana de 22 pra você?

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