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Edifícios Híbridos

Edifícios Híbridos

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

É pessoal, agora começou pra valer, o semestre está aí com novidades boas e ruins (como semana de provas e aumento da média final ¬¬ da lhe Mackenzie), enfim, vamos ao que interessa…

Na minha primeira aula de projeto do semestre, um dos professores (que não sei o nome), ao explicar o tema para nosso projeto disse que “preferia” o título: Edifício Híbrido, em detrimento ao mais comumente utilizado: “Edifício Multifuncional”. E completou explicando que preferia essa denominação, pois, não é a função que faz o edifício, já que a mesma pode ser dada pelo usuário única e exclusivamente, em alguns casos, e no caso de híbrido, remete-se a algo que já nasce assim, já surge com essas múltiplas características. Pra mim, apesar de um argumento válido, acho que são apenas dois pontos de vista diferentes, daquela eterna discussão de “até que ponto o usuário interfere na arquitetura?”

Mas o caso que gostaria de pontuar foi uma pergunta, que no momento pareceu ao acaso, que ninguém respondeu, mas que me deixou pensativa depois. “Você se incomodaria em morar num edifício híbrido?”

Interessante, não?

Na hora pensei: “Oras, por que eu me importaria? Há uma certa comodidade, não há?” Mas logo em seguida ele acrescentou: “Por híbrido digo, térreo comercial, e pavimentos tanto de escritórios quanto residenciais.”

Hmmmm…mudou um pouco de face, não?

Imagine descer pra comprar pão e “dar de cara” com uma galera engravatada. Ou ir a portaria buscar algo com um amigo e ter muita gente por lá. Mesmo com acessos individuais, tudo acontecerá no mesmo quarteirão. Morar, lazer, estar, consumir, trabalhar. Lembra um pouco Le Corbusier.

Mas será que é funcional? Será que causa algum tipo de desconforto aos moradores? Ou até mesmo aos donos dos escritórios? Pessoas de chinelo rondando a entrada do seu escritório. Será que o som de carros logo cedo não incomodaria quem nem sempre sai de casa no horário comercial? A movimentação, a falta de certa liberdade, de um condomínio, um edifício residencial como todos estamos acostumados a conceber?

Bryghusprojektet – OMA/Dinamarca – Divulgação

Vamos pegar um exemplo um pouco incompleto, mas válido: o Copam.

Você já foi ao Copam? Eu já, já até andei pelos corredores. Mas você já viu um morador de lá?

Na Avenida Brigadeiro Faria Lima há alguns empreendimentos com essa proposta híbrida, onde você pode comprar seu conjunto para o escritório e seu pequeno apartamento de solteiro no mesmo edifício, e no térreo você pode almoçar, tomar café, jantar. Para aqueles que, como eu, demoram horas em trânsito, para lá e para cá, faculdade, trabalho, casa, dá no que pensar, causa uma inquietação, um “Será?”, mas depois de pensar muito percebi que para mim não funcionaria.

Apesar dos muitos prós, das horas ganhas por dia, os contras ganham.

Não consigo me ver sem circular pela cidade, mas creio que isso seja uma inquietação “de arquitetos”, o ver a cidade. Já como uma simples moradora da cidade de São Paulo, ainda sim penso o seguinte: os sons das regiões mais centrais, a poluição, o “caos”, o “já estar em casa”, o excesso de pessoas circulando pelo lugar onde eu moro, me deixaria incomodada. O ser humano tende a se sentir seguro com o conhecido, imagine a cada dia centenas de pessoas diferentes circulando “pela sua casa”? A sensação de insegurança que isso causaria? E como dono do escritório, imagine ter vizinhos que estão lá durante toda a noite, impedindo que você execute reformas durante a noite, pois, a áreas não é mais somente comercial, podendo haver as inconveniências de som alto, de pessoas que “se sentem em casa de mais”, mesmo um morador solteiro, pode causar grandes incômodos aos vizinhos caso não saiba se portar morando em um edifício, e não podemos exigir que todas as pessoas do mundo tenham o mínimo de senso sobre tudo o que fazem, não é? Risos…

Bom, o meu veredicto é: “Edifícios híbridos, projetar sim, morar, nunca!”

Como sempre acabei sendo um tanto tendenciosa, risos, mas e vocês? Se sentiriam “em casa” em um local onde acontecem diversas coisas ao mesmo tempo? Onde circulam diversos tipos de pessoas ao mesmo tempo? Sentiriam aquela segurança (mesmo que as vezes falsa) que morar nas regiões periferias oferece? Aquela certa quietude quando todos estão no trabalho, aquele fluxo intermitente de pessoas com horário certo, e não a todo o momento?

Mais uma vez peço que vocês reflitam e dividam conosco:

Edifícios híbridos: solução para as grandes aglomerações das metrópoles urbanas? Ou uma forma de resolver o problema com praticidade sem se importar com a criação de outros, como incompatibilidade de funções?

Participem, reflitam e compartilhem conosco o que vocês pensam de mais esse tema!!!

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