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O perigo das reformas “irregulares”

O perigo das reformas “irregulares”

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Todos vimos na última semana a tragédia que assolou nossos vizinhos da cidade maravilhosa, o desabamento de três edifícios na cidade do Rio de Janeiro.

Ainda não há um veredicto sobre a causa real do desabamento, mas especulam-se duas principais hipóteses: primeiro a de uma obra no nono andar do edifício ter danificado algumas colunas, prejudicando a estrutura, e a segunda de que modificações no edifício, no decorrer dos anos, tenham causado essa instabilidade, que foi intensificada pelos tremores das demolições normais à obra. Como exemplo das tais modificações temos o acréscimo de janelas na empena cega do edifício, que poderiam ter rompido algumas colunas.

Gostaria de trazer uma especulação à baila, mais uma vez me utilizando de fatos atuais para levantar questionamentos já a muito discutidos.

Fato é que sabendo ou não a causa dessa fatalidade devemos abrir os olhos. Hoje vemos diariamente reformas, principalmente em residências, sem nenhuma espécie de identificação de que há um responsável pela obra, e muita gente acredita que quando se trata de uma pequena reforma, isso não é necessário, por não mexer com a estrutura da casa, mas será que isso é verdade?

É claro que nós, futuros profissionais da área, preferimos que sempre haja um responsável pela obra, mas não só pelo nosso ganho pessoal, como muitos pensam e sim porque nós sabemos quanto pesa uma parede nova sobre uma laje e quanto mal isso pode fazer para uma determinada estrutura.

Trabalhos de resgate após o desabamento de prédios na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro
Trabalhos de resgate após o desabamento de prédios na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro

Agora o que divide opiniões é: quando é necessário um responsável pela obra?

Mesmo sabendo o que o CREA pensa sobre isso, qual será o limite, onde será que termina uma pequena intervenção inofensiva e começa uma reforma de médio porte?

Discuti esse fato no decorrer da semana com outros profissionais da área e há muitas opiniões diferentes sobre o assunto.

Particularmente defendo que derrubar ou levantar uma parede simples, abrir uma porta, ou uma janela, na maioria dos casos não apresenta grandes riscos, mas é necessário ter um mínimo de conhecimento para realizar essas modificações. Qualquer residência cuja papelada esteja correta junto à prefeitura local pode ser facilmente consultada pelo proprietário, que com uma simples pesquisa na internet, ou um pouco de pensamento lógico pode concluir o que são as colunas e o que não se deve fazer com elas. Até mesmo muitos pedreiros mais experientes podem dar conta dessas pequenas reformas sem maiores problemas, sem oferecer as mesmas garantias, claro.

Mas é claro que existem casos e casos, acréscimos de “puxadinhos” em lajes, mal feitos, muros mal pensados, lajes cimbradas porcamente, paredes mal amarradas, e cada um desses pequenos detalhes pode fazer com que rachaduras rasguem a casa de fora a fora, ou até com que uma casa sólida venha ao chão sem mais nem menos.

E o que vocês acham? Reformas, mesmo que pequenas, devem ter o auxílio de um profissional, ou tem casos em que onerar tanto a obra com os honorários de um arquiteto não vale a pena? (Já que o valor chega a dobrar quando da execução por um profissional!)

Casos como os edifícios do Rio de Janeiro acontecem com muita freqüência. Casas, edifícios, muros de arrimo, que por falta de cuidado vem ao chão, deixando sempre um rastro de destruição e vítimas. Arquitetura é coisa séria. Não passamos cinco anos brincando de “fazer casinha”, mas é certo levar a extremos cada intervenção, culpando-a sem mesmo parar para na analisar, na ânsia que o ser humano tem de apontar com rapidez um culpado como se isso minimizasse o acontecido?

*Vale a pena frisar que existem muitos casos de casas e edifícios construídos por empresas renomadas, profissionais formados e etc, que ainda sim apresentam problemas estruturais irreparáveis. (Vejam o caso das casas da CDHU em Ribeirão Preto). Ninguém é a prova de erros.

Opine, debata, discuta, discorde! Esse espaço é de vocês, “botem os dedos pra trabalhar” e nos digam o que se passa nessas mentes arquitetônicas que sempre tem tanto a dizer.

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