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Edifícios abandonados no centro de São Paulo

Edifícios abandonados no centro de São Paulo

Arquitetura é muito mais do que lapiseira e papel! Pra você que concorda, nesta série trataremos de todos os aspectos reflexivos que envolvem esse imensurável mundo arquitetônico no qual vivemos.

Todos aqueles que, como eu, passam diariamente pelo centro de São Paulo se deparam todos os dias com os grandes edifícios abandonados que lá existem.

Os exemplos mais conhecidos são: o edifício localizado no 911 da Avenida Prestes Maia, o 895 da avenida Ipiranga, o 354 da rua Mauá, o Aquarius Hotel da Avenida São João, e ainda o número 613 da mesma Avenida São João. (Além, claro, dos extintos São Vito e Mercúrio, na frente do Mercado Municipal).

Esse tema divide opiniões há anos, e já foi mais do que discutido, mas eu gostaria de discutir isso com você “mentes arquitetônicas”, creio que será bem diferente.

“O que fazer com esses enormes elefantes brancos no centro da nossa metrópole?”

Desde que se encontram neste estado de abandono muitos destes edifícios já foram ocupados (alguns mais de uma vez), por sem tetos. E toda vez que isso acontece voltam às manchetes a eterna discussão “Arquitetos x Arquitetos”, derrubá-los? Tombá-los? Tomá-los? Cuidá-los? Transformá-los? Que fim merecem esses grandes marcos da história de São Paulo?

Existe um site muito interessante que reúne informações exatamente destes seis edifícios, o Edifícios Abandonados, de lá tirei muitas informações, não só sobre os edifícios mas também sobre seus atuais moradores, ou pessoas que os conhecem muito bem.

Vista do terraço do Edifício Copan – © Aline de Carvalho

Passando rapidamente por cada edifício:

  • Avenida Prestes Maia, 911, próximo a estação da Luz, possui 22 andares, abriga mais de 1500 pessoas, e é de propriedade do empresário Jorge Nacle Hamuche, do ramo de tecidos. Apesar de não pagar os impostos do edifício há anos (dívida que já acumula mais de 2 milhões de reais), o dono atualmente luta na justiça pela reintegração de posse do edifício;
  • Avenida Ipiranga, 895, atualmente está sob os cuidados de um segurança, que impede novas ocupações, é de posse da HM Engenharia, parte do grupo Camargo Correa, que se recusa a se pronunciar sobre o edifício. Já foi o Brazilian Palace, um hotel requintado, já foi um Bingo, e após a compra pela construtora nada mais foi feito do edifício se não medições e mais medições;
  • Rua Mauá, 354, antigo Hotel Santos Dumont, também próximo a estação da Luz, hoje abriga cerca de 1000 pessoas nos seus 6 andares, e está ocupado desde 2007 pelo Movimento dos Sem Teto (MST). Nele há uma ocupação extremamente organizada, inclusive com um “porteiro” que monitora quem entra e quem sai do prédio. O atual proprietário é Leon Snifer, advogado, e mais dois irmãos, que admitem não ter nenhum intenção de recuperar o prédio, que devido à dívida (cerca de 2 milhões) já é parcialmente da prefeitura;
  • Avenida São João, Aquarius Hotel, que nunca foi hotel nenhum. O prédio nunca foi concluído, a obra foi abandonada pelos filhos do proprietário inicial após sua morte e nunca foi vendido. Especulase que seus 21 andares estejam em processo de negociação com a COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação), mas o porta voz dos sete irmãos proprietários, Ricardo Pedreiro, não confirmou nenhuma informação além do interesse de venda;
  • Avenida São João, 613, o Palacete Cinelândia, cuja última função foi hotel. Já foi de propriedade da família Zogbi e hoje pertence à Prefeitura de São Paulo e faz parte do seu programa de desapropriação no centro velho para a criação de moradias populares (estas especificamente destinadas a artistas aposentados com renda de 1 a 3 salários mínimos) e adensamento do centro velho.

Bom, agora todos vocês sabem um pouco da história desses edifícios, vamos à questão principal.

Muitos professores meus se manifestam a respeito dos edifícios, são a favor de sua reforma e adaptação para a moradia popular (aqueles que estejam em condições para isso, claro!), inclusive um de meus professores, João Sette Whitaker, é estudioso justamente dessa área, do tecido urbano de São Paulo e suas conformações (recomendo que assistam o programa “A Liga”do dia 12/10/2010, onde o mesmo falou exatamente sobre o problema habitacional em São Paulo). É claro que alguns são contra, e alguns a favor de seu tombamento para o uso público, outros acham que todos devem ser demolidos como foram os edifícios São Vito e Mercúrio (postura extremista para arquitetos, admito! Mas que reúne uma minoria isolada.), e temos que ver que cada um deles tem seus argumentos, e muitos deles são mais do que válidos.

Muitos desses edifícios não apresentam problemas estruturais graves, e podem sim, ser reaproveitados. Creio que isso seja praticamente um consenso entre todos os poderes, mas apesar disso o que divide a todos é o rumo certo a dar para esses edifícios. Estimular que as pessoas morem no centro, trazendo vida a ele novamente, tirando um pouco das grandes massas dos transportes públicos, e também das vias principais, elevando a qualidade de vida das mesmas, dando a essas pessoas um local digno para morar, com água, luz, esgoto regularizado, coleta de lixo (e, claro, o pacote extra de impostos, etc, etc, etc), ou o melhor seria estimular a vida cultural no centro, criando locais voltados para a população, centros culturais, cursos, exposições sobre a história de São Paulo e dos próprios edifícios?

Na minha opinião acredito que se colocarmos na balança o déficit de moradia e o déficit de cultura dos paulistanos a briga fica feia…

Mas não sejamos tendenciosos, sejamos arquitetos!

Moradia de qualidade para todos! Um centro vivo, seguro, onde possamos apreciar suas maravilhas sem medo, onde possamos levar amigos vindos de outros estados sem passar aquele sermão antes de: pouco dinheiro, sem cartões de crédito, segura a bolsa, cuidado com o celular, etc, etc, etc, que nós paulistanos já fazemos por hábito todos os dias! Impossível? Não! Difícil!

Mas porque não começar com a ocupação correta desses edifícios a muito abandonados?

E você? É a favor dessa ocupação regular? De reviver o centro velho, e melhorar a vida de muitas pessoas com a possibilidade de morar próximo aos seus trabalhos? Ou acha que esses edifícios são marcos da cidade que devem ser preservados, tombados pelo patrimônio histórico (que pra falar bem a verdade não tem dado conta nem dos edifícios que já são tombados há anos)? Ou tem outra opinião? Um ponto de vista menos óbvio, mais amplo?

Compartilhe conosco, dê sua opinião! Todos aqui no Arktetonix queremos saber o que vocês, colegas de (futura) profissão pensam a respeito!

 

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